Se observar a história recente da nossa música, é impossível não reparar na influência fundamental que África teve e ainda tem, quer na Europa, que na América, nas Caraíbas ou no Oceano Índico.
Como se para exorcizar o período trágico da escravatura, África transcendeu literalmente, tanto na sua forma modal como ritmicamente, a maioria da música popular atual, do gospel ao jazz, do blues ao rock, do soul ao rap, do funk ao hip-hop.

A música africana, através das auto-estradas virtuais da internet, tem-se estabelecido como um ponto de passagem vibrante no streaming mundial.
No início, temos a fundação, a arte ritual, onde o corpo, na sua extravagância animal, dentro de uma natureza codificada, transportador do mundo sobrenatural, se torna palavra e espírito, encarnando épicos, genealogia e mitologia de um povo e dos seus antecessores.

A arte contemporânea africana, rodeada por uma multitude de novos sinais, na sua abordagem curiosa e prolífica, reinventa certos códigos da sua ritualidade original.
Este projeto visa fazer uma ligação entre este património musical imaterial e as novas expressões urbanas de uma África, que como dizem os anciões, está consciente do facto de que não pode planear o futuro sem conhecimento do passado.