Romuald Hazoumè

Romuald Hazoumè

Nasceu em 1962, em Porto Novo, no Benim
Reside e trabalha em Porto Novo.

Romuald Hazoumè, de origem Yoruba, cresceu numa família católica, mas manteve contacto com a cultura Vodun dos seus antepassados; esta dupla herança cultural é expressa tanto nas suas máscaras, como nas suas instalações. Em meados da década de 80, começou uma extensa série de obras feitas de contentores de plástico descartados, de contentores de gasolina em particular. Após algumas ligeiras modificações estes objetos transformam-se em máscaras, que revelam subtilmente a visão crítica de sistemas políticos de Hazoumé. Disse do seu próprio trabalho: «Devolvo ao Ocidente o que lhes pertence, isto é, a rejeição da sociedade de consumo que nos invade todos os dias.»

As mascaras de Hazoumè conformam-se mais à recuperação dos materiais que as constituem do que às tradições Yoruba; no entanto existem também importantes ligações a este património. A arte de Hazoumè sugere uma leitura paralela e ilustra como o artista retira inspiração do vocabulário dos iniciados para dar caráter às suas criações. A sua arte é imediata, mas também complexa e profunda, lidando com questões políticas e sociológicas, e questões de identidade, bem como de estética pura. É nova e contemporânea, no entanto plena de tradição. É séria, porém irónica e cheia de humor. É possível ver o seu trabalho como inevitavelmente oriundo da África Ocidental, na forma como lida com a sobrevivência entre outras coisas, sendo, porém, assertivo e seguro de si mesmo. De facto, o seu trabalho pode ser compreendido como uma reinterpretação moderna do fenómeno de entrar em transe, revelando sem reservas a loucura dos eventos atuais. Hazoumé pertence a uma segunda geração de artistas Africanos que obteve reconhecimento internacional bem merecido.