Mbye Ebrima

Mbye Ebrima

Mbye Ebrima, mandinga, korista, compositor, cantor e diseur de história oral, nasceu em Jarra Soma, na Gâmbia, em 1988, numa famila djéli, os Mbye, tocadores de kora e reputados conhecedores e divulgadores da história oral mandiga-kaabunké há muitas gerações.

O pai de Ebrima, El – Hadji Alieu Mbye, korista eum dos grandes conhecedores da história oral da região. Pelo lado materno, Mbye Ebrima descende de uma outra importante e antiga família djéli de tocadores de kora, os Cissoko da Casamamce. A mãe, Jabou Susso, filha do grande tocador de kora Ablaye Cissoko, é cantora em performances de música tradicional mandinga.

Mbye Ebrima viveu a infância e parte da adolescência em Brikama, em casa de Solo Susso, irmão da mãe e renomado mestre de kora.

Aos 16 anos, Mbye Ebrima passou a viver com o pai em Serrakunda, tendo quase de imediato iniciado um processo célere de aprendizagem do kora e das outras dimensões exigidas a um djéli, nomeadamente a aprendizagem da história familiar e dos mandingas kaabunké.
Trabalhando com afinco, aprendeu em poucos meses a tocar kora, tendo passado a acompanhar a djelimusso Mariama Saho, uma das coesposas do pai. Algum tempo depois, iniciou a participação em espectáculos com o pai e com um meio irmão, Bubacar Mbye, e, a partir de 1999/2000, começou a substituir o pai nas aulas de kora, quando este se encontrava ausente.
Na mesma altura, fundou com amigos o grupo Mama Africa, um grupo composto por kora, balafon, bateria, percussão, teclado e saxofone, intérprete de música afro-mandinga com um groove bastante próprio. Mama Africa actuou na Gâmbia e várias vezes no Senegal.
Mbye Ebrima fez ainda parte do grupo Kora Symphony, criado pelo presidente gambiano para actuar em cerimónias oficiais e oficiosas, constituído por 30 tocadores de kora e no qual foi, durante 3 anos, um dos seis membros fixos e várias vezes solista.

Em 2013, Mbye Ebraima partiu para o Senegal. Algumas semanas depois, para o Zimbabwe e daqui para Tanzânia, onde ficou durante alguns meses.
Ensinou kora na escola de música Dhow Countries Music Academy (DCMA) em Zanzibar, participou em festivais de música, gravou um programa para a televisão sul-africana e tocou em vários espectáculos, no kora, taarab, género musical muito popular no Quénia e na Tanzânia.

Em 2014, num espectáculo em Zanzibar, conheceu um dos directores da companhia alemã Mother Africa, que o convidou para uma digressão na Europa. Em 2014, com a Mother Africa, actuou várias vezes na Alemanha, na Áustria e na Suíça.

Em Fevereiro de 2015, fixou residência em Portugal, onde ainda hoje reside e trabalha enquanto músico.
Desde então tocou várias vezes em Portugal e em Espanha, tendo tido como alguns palcos o B.Leza, o Auditório J. J. Laginha do ISCTE-IUL, o Auditório de Espinho, o Maus Hábitos no Porto, o Salão Brasil em Coimbra, a Musibéria em Serpa, o Coliseu do Porto (com Kimi Djabaté), entre outros. Participou em vários festivais, como ‘O Mundo Aqui’ em Ponta Delgada, ‘Encontros’ no Barreiro, ‘Música do Mundo’ no Seixal, ‘Encontro de Culturas’ em Serpa, ‘OITO24’ em Espinho, e dois festivais interculturais nos Açores (Ponta
Delgada e Angra do Heroísmo, entre outros.

Gravou um dos concertos no B.Leza e o concerto no ISCTE-IUL, respectivamente para RTP-Africa e RDP-África.

Actualmente desenvolve trabalho a solo, em dueto com Raquel Reis, violoncelista da Orquestra Gulbenkian, e com banda.