Costa Neto

Costa Neto

Costa Neto nasceu em 1959 no dia 5 de Outubro às 00,00 horas, no último edifício a sul de todo o território de Moçambique, o farol da Ponta do Ouro, na montanha onde o seu pai se encontrava destacado.

Entrou para o ensino primário em 1965 numa missão católica colonial portuguesa em Matutuine, Moçambique, ingressou em 1970 num seminário também católico e no ensino oficial secundário na cidade de Maputo em 1971, então Lourenço Marques, ainda sob domínio português.

Em 1974, após a revolução portuguesa, interrompe por um ano os estudos, e esta disponibilidade de tempo permite-lhe iniciar-se como autodidacta na música.

Em 1976, pós-independência, regressa à escola, seguindo o ensino técnico, e desiste dos estudos em 1980, recusando-se a um encaminhamento oficial obrigatório à carreira docente. Desde então dedica-se exclusivamente à música, ingressando no mesmo ano no “Grupo 1” de música ligeira moçambicana. Em 1981, funda com companheiros seus o grupo musical “M’bila”, um dos grupos que mais revolucionou a música urbana moçambicana, o qual dirigiu até à sua extinção em 1988. Entretanto, o seu primeiro grupo musical fora o “ABC 78”, cujo nome foi por si sugerido aquando da sua fundação em 1978.

Em 1983 é-lhe incumbida a responsabilidade de director interino do Clube da Juventude de Maputo, o centro mais regular na promoção do entretenimento durante todo o período da guerra civil pós-independência, onde se encontravam também baseadas as actividades do seu grupo “M’bila”.

Em 1988 parte para Portugal numa digressão, onde decide ficar e residir para dar continuidade à sua carreira artística, o que lhe acarretou enormes dificuldades nos primeiros anos da sua estadia. Com sentido de solidariedade, envolve-se com artistas oriundos de todos os outros países lusófonos, entre eles alguns dos mais conceituados nos seus países de origem, com muitos dos quais mantêm relações excelentes de camaradagem e amizade, o que lhe inspirou a criar em 1996 o projecto “FAZER”, patrocinado pelas Nações Unidas, que envolvia a grande maioria dos músicos africanos residentes em Portugal, para além de personalidades e outras instituições que se solidarizaram com o projecto. Em Junho de 2008 é homenageado pela população, associação e seus lideres tradicional na sua terra nativa, Matutino em Moçambique.

No ano 2000, abalado com a catástrofe das cheias na sua terra natal, Moçambique, escreve e canta o “Sinónimo Vida”, que se tornou na prática o hino das vítimas da tragédia, projecto este, que viria mais tarde a ser editado em “Cd single”.

Em 2001 marca o início da sua carreira a solo com a edição de “PROTOTYPUS”, que se sugere ser um contributo ao desenvolvimento e divulgação da cultura moçambicana e africana em geral, no mundo.

Do álbum “PROTOTYPUS”, foram seleccionados temas originais como “ÚÈ MWANÊ” para a colectânea pan-africana “MOTHER AFRICA”, e “KIKIRIGÔ” para a primeira colectânea da “MÚSICA DA CPLP”.

Considerado por muitos como o mais fiel intérprete da música Moçambicana na Europa, tem sido por isso convidado a representar o seu país em alguns dos mais mediáticos eventos onde se requer a presença da cultura moçambicana, destacando-se a participação no concerto de encerramento da conferência “GALEGO EM PÓ” em Santiago de Compostela, Galiza, a participação em três edições do festival “PORTAFRICAS”, o encerramento das comemorações em Roma do 10o aniversário dos acordos de paz de Moçambique, a representação de Moçambique no festival “ENCONTROS LUSÓFONOS”, em Lisboa, 2004, a participação no concerto “MUSIC AFRICA” em Roma, 2006.

Em 2009 editou o CD “Mandjólò”, que é já um dos CDs mais conhecidos de Moçambique no exterior.

A canção “Mandjólò”, é provavelmente a música Moçambicana mais conhecida internacionalmente na atualidade.

No dia 18 de Dezembro de 2009, a convite do Governo Reginal dos Açores, encerrou com seu concerto as comerações do dia mundial do Migrante.

É também em 2011 que, a convite da Fundação Brasileira “Casa Grande”, é o único africano que participa em Nova Olinda no Ceará, na Mostra Musical Ibero-Americana, e a participação na amostra cultural “Warakdzã”, também a convite da Fundação Casa Grande.

Em 2011 funda em Maputo, a orquestra “MZ Band” que passa a ser a banda suporte dos seus concertos.

Em 2010, a mais conceituada editora da world music, Putumayo, seleciona a canção “Boas Festas Moçambique” de Costa Neto, para a sua coletânea mundial de canções natalícias (World Christnas Party).

Em Março de 2012, representa Moçambique na semana cultural em Coimbra, organizada pela Universidade de Coimbra, integrado num coletivo de artistas do Brasil, Portugal e Moçambique.

Em Dezembro de 2013 é convidado para ser um dos padrinhos da campanha internacional “Juntos Contra a Fome” projeto em parceria CPLP-FAO, é nesse âmbito que compõe e produz o hino oficial da campanha, interpretado por músicos dos diversos países da CPLP.

Em outubro 2015, organiza em Lisboa, o concerto pela paz em Moçambique, com a participação de vário artistas convidados.

Costa Neto é co-fundador e Presidente da “Razão d’Arte – Associação Cultural dos Artistas da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa”, criada em 2016.